Homenagem a Alnary Rocha marca abertura do SENESTS


Data: 02/09/2016

Por: Acessoria de Imprensa UEPG


A homenagem póstuma ao técnico em economia solidária Alnary Nunes Rocha Filho (Lilo) marcou a abertura oficial da terceira edição Seminário Nacional de Economia Solidária e Tecnologia Social – SENESTS, promovido pela Incubadora de Empreendimentos Solidários – IESol, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), nesta quinta-feira (1), no auditório do Campus Central. Com o tema central "Por uma cultura de desenvolvimento solidário - perspectivas, diálogos e intersecções entre Economia Solidária e Tecnologia Social", o evento conta com a colaboração de importantes parceiros, consolidando um trabalho em Rede de Incubadoras Universitárias de Economia Solidária no Paraná e outras regiões do país.

Alnary Nunes Rocha Filho faleceu em 10 de julho deste ano, vítima de ataque cardíaco. Atuou na IESol desde os primeiros anos de sua criação, em 2005, participando da organização e execução de programas, projetos e eventos. Em sua homenagem foi exibido um vídeo com depoimentos de seus companheiros na IESol e movimentos sociais. Um desses amigos, definiu Lilo com um cara que gostava de contar sobre seus erros e acertos na vida, sem esperar aceitação ou ser exemplo para ninguém. “Quem o conheceu lembrará dele como um sujeito que gostava da vida e acreditava que é possível construir uma sociedade mais justa, através da economia solidária, da militância política ou dos movimentos sociais que participava. Apesar de toda as dificuldades ele sempre estava lá”.


O coordenador da IESol Luiz Alexandre Gonçalves Cunha (diretor do Setor de Ciências Exatas e Naturais) falou sobre os desafios de se fazer economia solidária, sobretudo num ano de dificuldades e de transição e finalização de projetos na incubadora da UEPG. “Essas questões vêm no sentido de entendermos que não é fácil fazer economia solidária, tendo que permanentemente vencer desafios”, disse, ressaltando o propósito do III SENESTS, de proporcionar espaço para o debate de ideias, troca de experiências e aprendizagem.

A pró-reitora de Extensão e Assuntos Culturais, Marilisa do Rocio Oliveira, destacou a IESol como um dos principais programas de extensão da UEPG. Ressaltou os objetivos do programa de contribuir para a constituição e consolidação de empreendimentos de economia solidária na região. Para ela, o trabalho desenvolvido pela IESol em mais de 10 anos de atividades traz a essência da extensão, que possibilita vivências muito próximas da comunidade, de pessoas que, muitas vezes, precisam apenas de um gesto de carinho e de solidariedade. “Extensão em emoção não é extensão”, sentenciou, para afirmar que as dificuldades são inerentes à ação extensionista.

Na palestra de abertura do evento, o professor Genauto de França Filho, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) discorreu sobre o tema “O imperativo do desenvolvimento territorial na economia solidária”. Acrescentando à temática ‘o papel da incubação tecnológica’, propôs uma discussão que consiste em considerar a centralidade (lugar de destaque) da lógica territorial como uma condição para a sustentabilidade das práticas de economia solidária. “É como se a relação entre território e economia solidária, permitisse uma dupla afirmação à cerca da economia solidária”, disse. “Primeiro por ser considerada uma outra economia; e segundo, por ser portadora de uma lógica emancipadora”.

Essa tese, segundo o professor, é muito pouco aprofundada e discutida. Para dar consistência qualificar sua argumentação, que parece comum e relativamente bem aceita, no campo da economia solidária, desenvolveu sua exposição em quatro pontos. Primeiro, fez uma rápida reflexão de como se justifica a centralidade da noção de território, em relação à ideia de economia solidária. “Porque volta e meia e até involuntariamente, a noção de território fica ignorada, numa concepção de prática da economia solidária. Eu quero mostrar uma espécie de contradição de uma visão convencional do que seria economia solidária”.

Num segundo momento, lembrou como esse lugar central do território na relação com a economia solidária, convida a todos para uma reflexão a cerca de uma outra noção e entendimento à cerca do que é o econômico. “É justamente essa visão do que é o econômico que vai nos permitir afirmar um pouco mais sobre essa ideia de uma outra economia, associada à prática da economia solidária. Em seguida, desafiou os participantes a uma reflexão sobre como essa outra ideia de economia pode ser traduzida em formas de agir com a economia solidária e, em particular, como essa outra ideia de economia pode ser incorporada a partir de um modo de fazer economia solidária, tendo como ponto de partida o lugar onde ela está na universidade. “Ou seja, a partir das práticas de incubação em economia solidária”.

Para finalizar, fez uma série de considerações acerca dos desafios que se impõem nessa tarefa de renovar o modo de se fazer economia solidária a partir da incubação tecnológica com a economia solidária. Dentre esses desafios, incorporar um elemento que é central para essa discussão, que é o debate em torno da tecnologia social, a partir da noção de inovação social.

O tema abordado pelo professor Genauto de França Filho também foi objeto de debate na mesa redonda realizada nesta sexta-feira (2), pela manhã, no auditório do Campus Central. Os professores Wagner de Souza Leite Molina, da UFSCar, e Marilene Beatriz Zazula, da UTFPR, debateram sobre "Economia solidária e tecnologia social: possibilidades de integração e formação de redes”. Os debates sobre tecnologia social orientaram ainda as atividades dos Grupos de Trabalho, no período da tarde.